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Lula dispara; Serra, Garotinho e Ciro empatam no 2º lugar, diz Datafolha


Pesquisa Datafolha realizada hoje mostra que o pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, subiu 11 pontos percentuais nas intenções de voto. Em pesquisa anterior, realizada dia 9 de abril, Lula tinha 32%. Passa agora para 43%. É o maior percentual obtido pelo petista desde o início das pesquisas para as eleições deste ano, que estão sendo feitas desde o ano passado.

José Serra (PSDB), que tinha 22% em abril, caiu cinco pontos e está agora com 17%. Ele está empatado tecnicamente com Anthony Garotinho, PSB, (que tinha 16% e agora tem 15%) e com Ciro Gomes (PPS), que passou de 13% para 14%.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.


Enéas Carneiro, do Prona, continua com os mesmos 2% registrados na pesquisa anterior.

Caiu também o percentual dos eleitores que dizem que vão votar branco ou nulo ou que estão indefinidos. Em abril, 8% diziam que pretendiam votar branco ou nulo. O percentual caiu agora para 5%. Os indecisos oscilaram de 6% para 4%.

Essa pesquisa mostra também a maior diferença entre Lula e um segundo colocado, que agora atinge 26 pontos.


Denúncia
Essa é a primeira pesquisa eleitoral do Datafolha desde que foram divulgadas na semana passada denúncias sobre suposta tentativa de cobrança de propina durante o processo de privatização da Vale do Rio Doce, realizado em maio de 1997.

O responsável pela arrecadação de fundos de campanha do atual presidenciável tucano, José Serra, o empresário Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil à época da privatização, é apontado como o suposto autor da cobrança de R$ 15 milhões _ou US$ 15 milhões, conforme a versão_ para organizar o consórcio vencedor do leilão.

A informação sobre o suposto achaque teria partido do também empresário Benjamin Steinbruch, líder do consórcio comprador da empresa, que transmitiu a denúncia ao ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) e ao ministro Paulo Renato (Educação), conforme admitiram ambos à Folha.

Segundo Mendonça de Barros, a suposta cobrança foi levada ao presidente Fernando Henrique Cardoso em 1998. Apesar disso, nenhuma providência foi tomada. FHC, que inicialmente, segundo assessores, teria dito não se lembrar da conversa, após a revelação do caso preferiu não se pronunciar em caráter oficial.

Envolvido nas campanhas de Serra em 1990 e em 1994, Ricardo Sérgio nega as acusações. Já Steinbruch não confirma mas também não nega a história.

Bancos

Foi também no intervalo entre as duas pesquisas que bancos internacionais resolveram recomendar a seus clientes que reduzissem investimentos no Brasil. Entre outros motivos, eles alegavam que uma possível vitória de Lula poderia aumentar o risco dos investimentos.

 

Artigo publicado pelo Jornal Folha de Sao Paulo no dia 14/05/2002.

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