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Folha S. Paulo 08/04/2002 - Justiça acusa Merrill Lynch de manipular classificação de empresas

O procurador-geral do estado norte-americano de Nova York, Eliot Spitzer, confirmou que obteve um mandado judicial obrigando a Merrill Lynch, maior corretora do país, a detalhar a forma que seus analistas atribuem classificações para as ações de clientes corporativos. Spitzer disse que possui provas "dramáticas e pertubantes" que comprovam que os conselhos supostamente objetivos e independentes da Merrill estiveram atrelados a uma iniciativa de auxiliar o segmento de banco de investimentos do grupo.

"Pesquisa era abertamente usada como um gancho para vendas para o segmento de banco de investimentos", acusou Spitzer. "A avaliação pública de ações era freqüentemente falsa".

O mandado judicial obtido pelo advogado é o resultado de uma investigação de 10 meses sobre supostos conflitos de interesses entre analistas da Wall Street.

Spitzer informou ainda que a investigação continua e não se limita à Merrill. "Por tão dramáticas e incriminadoras que estas provas são contra a Merrill Lynch, isso pode ser a ponta do iceberg", disse.

Ele disse ainda que os problemas na Merrill se estendem para bem além de um único analista ou uma única unidade de pesquisa. Parte das provas oferecida hoje, durante coletiva com a imprensa, inclui e-mails do ex-analista estrela da corretora, Henry Blodget.

Observadores do mercado dizem que a medida contra a Merrill Lynch pode ser um esforço tático para atingir uma grande firma. Ao eleger uma grande firma como alvo, as outras firmas de investimento podem ser incentivadas a corrigir quaisquer irregularidades para evitar chamar a atenção dos procuradores, comentaram analistas. "Isso provavelmente terá ramificações para outras (empresas)", previu Jeffrey Meyerson, do M.H. Meyerson & Co.

Ao focar-se na Merrill e em Blodget, Spitzer está desafiando a maior corretora de Wall Street e um analista que veio a representar abusos por manter recomendações positivas para papéis que estavam despencando.

Durante a coletiva, Spitzer disse que vai considerar "todas as medidas possíveis" contra a Merrill, incluindo acusações criminais. O mandado judicial, expedido pelo juiz Martin Schoenfeld, da Suprema Corte do estado de Nova York, obriga a Merrill a revelar todos seus relacionamentos bancários com empresas para as quais atribuía classificações. Além disso, a firma deve proporcionar novas informações para ajudar os investidores a compreender melhor o que as classificações significam.

Em comunicado, a Merrill negou as acusações e disse que uma avaliação mais profunda demonstrará que sua pesquisa foi conduzida com "independência e integridade". "Não há base para as alegações feitas hoje pelo procurador-geral de Nova York. Suas conclusões são simplesmente erradas", rebateu a Merrill.

 

Folha S. Paulo 25/04/2002 - Analistas de Wall Street vão ser investigados

A Securities and Exchange Comission (SEC, a CVM norte-americana) e outros órgãos reguladores dos EUA estão se preparando para lançar uma grande investigação sobre o conflito de interesses dos analistas, disseram fontes ao Wall Street Journal.

A ação do principal órgão regulador de Wall Street ocorre depois de uma reunião realizada na última terça-feira entre o presidente da SEC, Harney Pitt, e o procurador-geral do Estado de Nova York, Eliot Splitzer, sobre a investigação do conflito de interesses dos analistas.

A SEC tem sido criticada por sua lentidão em investigar as alegações de Splitzer em uma investigação que começou na Merrill Lynch & Co, mas foi ampliada para incluir outras firmas.

Um porta-voz da SEC não foi encontrado para comentar o assunto. A investigação conjunta incluiria a New York Stock Exchange (Nyse) e o braço regulador do National Association of Securities Dealers, disseram essas fontes.

 

Folha S. Paulo 29/04/2002 - Merrill Lynch pede desculpas por manipular pesquisas

O executivo-chefe da Merrill Lynch, David Komansky, estendeu seus pedidos de desculpas a investidores e clientes, assim como a funcionários, por certos e-mails enviados por alguns analistas da firma com comentários negativos sobre empresas que estavam sendo publicamente recomendadas, segundo informou a CNBC.

Komanksy está tentando reverter os prejuízos em meio a uma das piores crises da história da empresa, que começou depois que o procurador-geral do estado de Nova York, Eliot Spitzer, deu início a uma investigação sobre as práticas de pesquisa e classificação da firma de Wall Street.

A retratação de Komanksy veio três semanas após o anúncio de Spitzer sobre as conclusões da investigação de 10 meses, provando que a Merrill enganou, de propósito, pequenos investidores com pesquisa excessivamente otimista sobre empresas que também figuravam na lista de clientes do grupo no segmento de banco de investimentos.

Komanksy espera entrar em acordo com a Justiça dentro de duas semanas, e disse ainda que o departamento de pesquisa da Merrill "sempre" foi independente, mas reconheceu que as normas da firma teriam de ser reavaliadas para torná-las mais eficientes. Komanksy afirmou que os danos monetários à Merrill podem ficar em torno de US$ 2 bilhões. As informações são da Dow Jones.

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