EUA já cogitam vitória de
Lula
Uma eventual derrota do líder petista Luiz Inácio Lula da Silva para um candidato mais conservador já não é mais consensual entre os círculos diplomáticos norte-americanos, segundo artigo publicado pelo jornalista e escritor Andrés Oppenheimer no jornal "The Miami Herald."
Oppenheimer é especializado em assuntos latino-americanos e ganhou, em 1997, o prestigiado prêmio Pulitzer por seu trabalho sobre o escândalo Irã-Contras (a venda secreta de armas ao Irã , durante o governo de Ronald Reagan, para financiar os opositores do governo sandinista da Nicarágua).
"Acho que Lula tem tanta chance de vencer quanto os outros três principais candidatos, se não mais", disse William Perry, ex-membro do grupo de conselheiros para a América Latina da equipe de transição de George W. Bush.
Motivos
As razões para os EUA terem passado a acreditar que Lula tem boa chance de vencer nos dois turnos são várias, segundo relata Oppenheimer: a primeira delas é o resultado da pesquisa de intenções de voto realizada pelo Instituto Vox Populi, que mostra o crescimento de Lula de 26% (em 21 de Março) a 30% (1o. de abril).
Outros motivos seriam a queda nos índices de rejeição ao candidato do PT (de 50% para 40%, que o ajudariam em um eventual segundo turno), a ruptura entre o governo federal e o PFL (o que pode fazer com que Lula receba votos de pessoas de centro-esquerda) e a observação de algumas pessoas influentes de que o candidato do PT estaria se movendo em direção ao centro.
Dois ex-oficiais do alto escalão do Departamento de Estado Norte-Americano teriam dito ao colunista que a vitória de Lula não necessariamente levaria a mudanças radicais no Brasil ou na América Latina.
Contraponto
No entanto, ainda segundo Oppenheimer, os EUA temem que a vitória de Lula signifique um retrocesso no processo de integração entre as Américas e resulte na criação de um "bloco" de países, que incluiria ainda a Venezuela, a Colômbia e a Argentina, contrário à criação da Área de Livre Comércio das Américas, planejada para entrar em funcionamento em 2005.
"Acho que os brasileiros não poderão resistir à participação na Área de Livre Comércio mesmo que Lula esteja no poder. Haverá uma preocupação e um período de incerteza, mas a realidade do gabinete faz uma grande diferença", afirmou Peter Romero, que dirigiu o escritório do Departamento de Estado para a América latina até o ano passado.
Noticia publicada pelo site do Partido dos Trabalhadores no dia 05/04/2002
Para saber mais: Leia o artigo publicado pelo The Miami Herald Jornal